Proposta 4 -CRIATIVIDADE E IMAGINAÇÃO
Criatividade. Este é o VERBO mais admirado e cultua no mundo contemporâneo, seguido pelo seu mais cultuado derivativo. É dele que surgem as soluções e novidade que a sociedade de consumo tanto precisa para satisfazer suas necessidades de renovação permanente em forma de produtos e serviços. O ser humano é essencialmente uma criação, que a nossa experiência antropológica milenar o associa a figura mítica do Criador, divindade teológica presente em todas as culturas históricas. Todas as narrativas de origem do mundo e seres vivos são criacionistas mitológicas e sobrevivem até hoje se opondo à narrativa zoológica da ciência, que também é repleta de criatividade. Tanto o gênesis mosaico como a teoria darwinista da evolução das espécies – as duas mais conhecidas- são produtos da imaginação humana tentando explicar o fenômeno humano e o cenário do seu aparecimento, no cosmos (luz, cor e movimento) e no planeta (água, terra, ar e fogo). Identifica, e tenta também conhecer e explicar as leis que regular essa manifestação: transformação, aça e reação, destruição, regeneração, evolução, trabalho, polaridade, proporcionalidade, afinidade, sociedade; e as leis morais: justiça, liberdade, igualdade, paridade, diversidade, pluralidade, reciprocidade e justiça.
O filósofo Huberto Rohden explica que a palavra criação é equivocada, pois o seu radical latino se refere à pratica da pecuária, criação de animais. Segundo ele o termo correto é creação, do latim crear e que denominou a entidade divina de Creador e sua manifestação no plano físico como Creação. A semelhança entre o Creador e suas creaturas está na capacidade creativa da mente humana. Os credos teológico gerou as crenças a negação delas, as descrenças, que é a desconstrução dos credos. A descrença também é uma forma de creação invertida, também composta de criatividade. Os artistas atuais e principalmente os teórico da arte são vidrados em desconstrução, que eles acreditam ser a verdadeira arte.
Usando a palavra no sentido vulgar, criação é um verbo mental, de produção e reprodução das coisas. É uma ação mental composta de imaginação e realização, dois campos opostos: o da criação e da manifestação. Nessa ação existe a criação autêntica e também a imitação, fruto da capacidade de percepção que temos da natureza e das suas leis reguladoras. A narrativa do Gênesis descreve a Criação como a epopeia do nada, da escuridão das trevas para a luz. É assim com todos os povos que tocam nesse assunto. Na Índia antiga, a narrativa bramânica relata que o Manvantara (o todo univérsico, um plano divino) é produto permanente inspiração (criação) e expiração (manifestação) do pensamento de Brahma, duplo movimento duplo que dura bilhões de anos na construção e desconstrução do universo.
A criatividade é , portanto, efeito da mente. A palavra mente vem da cultura hindu, do idioma sâncristo: “Manas”, o portador de manas é Humano. Os hebreus, outra raça antiga e também repleta de gênios mentais em sua história, denominam a mente o universo da Criação de Malkuth, que significa ocidentalmente o “Reino”. Na China é a polaridade energética e mental Ing e Yang. Os gregos, herdeiros culturais dos árias, dos egípcios e dos cretenses (antigos atlantes, segundo Platão) denominavam a mente de “Psiké”, campo abstrato que se opõe ao “Eros”, campo concreto do instinto e do desejo. A união de Eros e Psiké, pelo sexo, cria as formas humanas e suas manifestações.
Em todas essas narrativas e concepções , sobretudo na hindu, encontramos uma explicação espetacular e curiosa para a criação e criatividade. Trata-se da ideia de que o segredo do corpo humano ereto e também da sua verticalidade da sua mente – em oposição à horizontalidade da coluna vertebral dos animais – está na nossa capacidade de ficar em pé desafiar a Lei da Gravidade. Essa habilidade tem duas bases funcionais, uma biológica e outra psicológica: o magma do núcleo da Terra e os polos magnéticos (ártico e antártico) e calor também magnéfico que penetra na coluna e nervo vertebral em direção ao cérebro, naturalmente palas ações de sobrevivência e reprodução sexual; e mais ampla e criativamente com a busca de vigor e realização nas uniões sexuais e trocas de energias entre os seres. Essa energia magnética primitiva cria filhos de forma espontânea e também pode ser canalizada de outras maneiras na canalização de expressões criativas exteriores como as artes, a ciência e as tecnologias. Esse foi o elemento primitivo descrito pelo Sigmund Freud na sua “Psisicanálise” no termo “libido”, cujo controle regulador da sublimação pode ser mentalmente adaptado canalizado, direcionado e redirecionado em diferentes funções que não o simples ato sexual, mas em ações criativas múltiplas. É assim que pessoas que não querem ou não podem ter uma vida sexual comum, regular e reprodutiva, busca a outras forma de criação e realização gerando mudanças pelas produções, reproduções, construções, desconstruções, etc, tendo como ferramentas a imaginação e a aplicação.
É assim também que a criatividade se manifesta como técnica, arte, organização e estilo de vida na busca de solução e conforto. Tudo isso tem um enorme impacto e influência no conhecimento, nas profissões e na vida cotidiana. Faz parte, em curto prazo, no dia a dia e também dos planos e projeto de vida a longo prazo; na cura e recuperação das ações frustradas do tempo passado, soluções e pequenas resoluções do tempo presente; e também nas superações e conquistas do tempo futuro. Criatividade se opõe ao tédio, acomodação e frustração.
CRIATIVIDADE E INTELIGÊNCIA E APRENDIZAGEM
A inteligência humana também foi fruto de uma trajetória de aprendizagem e vivências. Nascemos com o potencial criativo e cognitivo, porém cada uma das suas características, potencialidades, habilidades e competências são efeito do esforço, da adaptação e das reações ao fracasso. O potencial criativo é pré-existente, porém precisa ser desbloqueado e desenvolvido pela aprendizagem. Aprender é uma ação espontânea de maturação interna ou provocada por situações e agentes externos, como as escolas e cursos. Mas ela depende essencial do interesse e da vontade. Os processos comuns de aprendizagem poder ser resolvidos pelo ensino também comum, das coisas básicas, motivados por técnicas pedagógicas que estimulam o instinto e a percepção superficial dos sentidos e da realidade exterior. Já os processos mais complexos de maturação são resolvidos pelo ensino iniciático, de diferentes graus de percepção da realidade, além das coisas básicas. São graus mais profundos das mudanças da estrutura psíquica e emocional. Os mestres iniciadores dessa modalidade de ensino querem a garantia de que não vai haver dispersão mental nem desperdício de tempo na transmissão do conhecimento e desenvolvimento das experiências. “Não se deve jogar pérolas aos poucos”, diz o antigo axioma da iniciação disciplinar. Estas geralmente são marcadas pelo deslocamento do mundo exterior para o interior, por meio de testes e provas emocionais e equações morais. Uma delas é a paciência, testada com jogos provocativos entre o mestre e o discípulo. Superando o obstáculo da paciência, o processo educativo da vontade ingressa em outras experiências e regras como a obediência, o silêncio, o olhar, o jejum, a humildade, a simplicidade, as adversidades e a dor. A ideia é fazer com que o discípulo supere a dúvida, o medo e a necessidade. Quem sabe supere o próprio mestre.
Assim como o universo e a mente são plásticos e expansivos, a inteligência também é expansiva e dá o tom desse movimento criativo. Isso está registrado na história dos protótipos humanos: (seres que são portadores de novas habilidades cognitivas e que influenciam seus semelhantes, em diferentes épocas e contextos; e também nas cosmogonias, concepções e visões de mundo desses respectivos períodos históricos. Seres criativos que geralmente nascem portadores da visão de mundo dominante, porém rompem as mesmas para desenvolverem novas concepções que serão dominantes a frente do seu tempo.














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