segunda-feira, 21 de junho de 2021

HUMANO - O SER MUTANTE E OS PONTOS DE MUTAÇÃO

 Proposta 6 - HUMANO, O SER MUTANTE




O PONTO DE MUTAÇÃO

Toda mudança na experiência humana passa pelas suas vivências estruturais: pensamento, o sentimento e a ação, campos interligados e que funcionam simultaneamente, porém de forma diferenciada nos seus respectivos ritmos e funções mentais. Cada campo tem o seu PONTO DE MUTAÇÃO, tempo próprio de transformação e obedece às condições pessoais de cada organismo. Assim, uns mudam mais rapidamente o pensamento e mais lentamente o sentimento ou a ação, dependendo das características de cada ser e das circunstancias que vivencia. Em situação de ameaça e estado defensivo, nenhuma das vivências entram em condições férteis de mudanças. Já em estado de aceitação, ameaça zero, quase todas se tornam mais abertas e flexíveis, podendo alterar seus próprios ritmos de assimilação. Mesmo assim queremos encontrar atalhos nos percursos e questionamos: por onde podemos começar, pelo pensamento, que é superficial e aparente, portanto mais flexível; pela ação, que é experimental; ou pelo sentimento, que é doloroso e muito próximo do X das questões íntimas. As dizem: é mais fácil mudar de pensamento e de agir, fazendo esforços repetitivos; já com o sentimento as coisas parecem ser assustadoras, estão nas profundezas e não sabemos como vamos reagir, preferindo adiar os enfrentamentos e as resoluções. Enfim, é possível mudar de forma integrada e também de forma fragmentada, de forma gradual com uma coisa de cada vez. Só precisamos saber como isso vai ser organizado. Também existem as vias traumáticas, pela dor, quando as circunstâncias causam danos e nos empurram para as conhecidas vias de adaptação (conforto) e fracasso (sublimação, resignação ou fugas e agressões).


O FENÔMENO E O FATOR HUMANO. 

A palavra mais antiga que existe para definir o ser humano vem do idioma sânscrito da antiga cultura dos ária (região da Índia), MANAS, que significa mente, concepção que influiu na maioria das culturas religiosas do semitas (hebreus e árabes). Para o hebreus o ser humano é o Reino (Malkhuth) ou "estado de coisas. Os gregos antigos definiam o ser humano como portador de uma dualidadae Eros-Psyké, campo mental das vivencias primordiais - PENSAMENTO, SENTIMENTO E ACÃO.

Duas teorias tentam explicar o fenômeno humano: a teoria mitológica, cujas narrativas simbólicas das culturas humanas apontam como de origem sobrenatural, produto da criação mágica ou de forças divinas; e a teoria zoológica, produto da biologia científica, que interpreta o ser humano como fenômeno natural, produto das leis da natureza e dos quatro elementos reinantes no planeta, animado pelo processo de seleção e adaptação das espécies. A biologia aponta o ser humano como a única espécie que possui a coluna vertebral permanentemente ereta, verticalizada, enquanto as demais espécies posicionam-se na linha horizontal, submissas ao poder magnético da lei da gravidade. A postura reta indica superioridade mental e a capacidade de visualizar o tempo futuro.

Para a antropologia, os seres humanos são produtos da natureza, mas também são protótipos culturais das épocas ou contextos históricos nos quais se desenvolveram. Protótipos são modelos experimentais para teste. Nessa natureza, na qual os seres humanos extraem todas as suas experiências, encontramos protótipos em todas as espécies vivas, cuja adaptação e evolução definem se vão ou não ter sucesso para sobreviver, semelhantes aos produtos lançados no mercado pelas fábricas. Nós sobrevivemos como espécie porque nossos antepassados atuaram como protótipos, se adaptaram e nos deixaram heranças da sua evolução.

Como reflexo efeito histórico dessa trajetória, temos ainda recusa da morte pelo ser humano. Surge então a concepção do pós-humano ou conceito de que o Homem poder romper seus limites biológicos e psicológicos do tempo existencial e mental. Essa ideia sempre foi alimentada como ideologia da imortalidade, por meio de doutrina religiosas preocupadas com a sobrevivência da alma; e as constantes pesquisas científicas, preocupadas com a eliminação das doenças e o prolongamento da vida corporal. Quais o limites e possibilidades?


A LEI DA GRAVIDADE E VARTICALIZAÇÂO DA CONSCIÊNCIA

A Lei da Gravidade é a marca principal de contenção, controle e liberação da vida inteligente em nosso planeta, não só no plano da matéria (energia condensada) mas também nos planos de energia livre. Lutamos, desde as formas mais simples às mais complexas, para nos libertar dessa força que nos prende ao magma vivendo e nos alimentando de tudo que está no chão, nossa principal área de interesse e das primeiras tecnologias de domínio do meio ambiente. Na medida que mudaram nossos interesses orgânicos e necessidades mentais, as nossas formações vertebrais e nervosas se desenvolveram no sentido oposto ao plano horizontal da matéria, rompendo os laços do instinto e ingressando no plano vertical, surgindo em nós outras habilidades intelectivas e emocionais. O Homem, por exemplo, quando fica definitivamente em pé, ereto, verticaliza sua coluna vertebral e também sua mente, torna-se prova viva da rebelião contra os limites da gravidade. Somente ele é capaz de fazer isso.


Seis protótipos ou modelos humanos tiveram influência marcante na trajetória da Humanidade. Um sétimo ser já existe como síntese e idealização do ser perfeito. Esses protótipos históricos possuem, cada qual em seu momento, o predomínio de um tipo de um inteligência revolucionária – das habilidades múltiplas propostas por Daniel Golleman - acumulando as experiências dos seus predecessores, e também características psicológicas das fases do “tornar-se pessoa”, proposta por Carl Rogers:







O Primeiro Ser - BIOLÓGICO – A Ética da Sobrevivência

Domínio da inteligência cinestésico-corporal. Predomínio dos instintos e dos desejos. Vive o tempo imediato e presente. Preocupação com a sobrevivência do corpo e busca de entendimento do mundo fenomenal exterior. Religiosidade natural exterior e mágica. •1ª fase do tornar-se Pessoa: Bloqueio e recusa à comunicação. Tendência a alienação.

Ponto de Mutação: Por que estou assim?

O Segundo Ser – TEOLÓGICO - A Ética da Imortalidade

Domínio da inteligência espacial e lingüística. Despertar da intuição e das aspirações do tempo futuro. Religiosidade ritualística exterior. Preocupação com a sobrevivência da alma e o medo da morte. Ritos funerários e necrópoles. 

2ª fase: Início da comunicação e do desejo de mudança. Não reconhece os sentimentos e emoções.

Ponto de Mutação: O que estou sentindo?

O Terceiro Ser – RACIONAL - A Ética da Razão

Domínio das inteligências lógico-matemática. A crise existencial e a busca filosófica do sentido existencial exterior. A Razão supera e inibe a emoção. Religiosidade narcísica e antropomórfica.

3ª fase: Aceitação reduzida de sentimentos.

Ponto de Mutação: Qual a origem desse sentimento?

O Quarto Ser - METAFÍSICO - A Ética do Humanismo Utópico

Domínio da inteligência musical. A percepção da realidade extrafísica e do sexto sentido. Crise existencial e a busca da realidade existencial interior. Tendência de equilíbrio razão e emoção. Religiosidade mística e sobrenatural.

4ª fase: Contextualização dos sentimentos. Despertar da consciência integral.

Ponto de Mutação: Que razões me levaram a este estado?

O Quinto Ser – POSITIVO – A Ética da Ciência e da Exploração Ambiental

O domínio da inteligência interpessoal e dos conhecimentos tecno-científico dos fenômenos físicos exteriores. Crise existencial (afirmação e negação da mente) e a busca sistemática de soluções lógicas e psicológicas. Conflito interior entre a religiosidade e a racionalidade. Conflito entre a física e metafísica. A ciência como finalidade maior.

5ª fase: Diálogo mais livre e desbloqueio da comunicação.

Ponto de Mutação: Que conseqüências tais sentimentos estão gerando em mim?

O Sexto Ser - PSICOLÓGICO – A Ética da Cidadania e da Sustentabilidade

•O domínio da inteligência intrapessoal e dos conhecimentos tecno-científicos dos fenômenos metafísicos interiores. Funcionamento da consciência integral e tendência a plenitude existencial. Harmonia entre a física e metafísica. Religiosidade interior voltada para soluções exteriores, solidariedade social.

6ª fase: Aceitação e experimentação mais imediata dos sentimentos.

Ponto de Mutação: Por onde posso começar a mudar a situação?

O SÉTIMO SER – CÓSMICO E INTEGRAL – A Ética idealizada do Pós-Humano

Domínio da inteligência e da consciência integral. A ciência como meio e não como fim. A plenitude vivencial. Religiosidade natural interior e mística.

7ª fase: Confiança total na transformação pessoal, disposição espontânea de diálogo e de comunicação. Auto-aceitação.

Ponto de Mutação: Qual é o ponto essencial da mudança?



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