segunda-feira, 21 de junho de 2021

A EDUCAÇÃO NÃO INDUSTRIAL


Proposta 8 - A EDUCAÇÃO NÃO INDUSTRIAL 


A PANDEMIA E O FIM DA SALA DE AULA


Um dos sinais mais claros e evidentes sinais da crise da educação é o fim da sala de aula, evento que surgiu no final da década de 1960, com a revolução cultural, e avançou nas três décadas seguintes estimuladas pela intensa massificação das redes físicas do ensino até chegar na atual popularização da redes digitais. Essa incompatibilidade do paradigma industrial com o novo informacional tornou transparente uma realidade, impossível de manter-se oculta e negada, como vinha sendo feita há décadas: um sistema do século XIX, uma rede física massificada do século XX com educadores treinados nesses moldes, numa relação conflituosa e ineficiente com alunos do século XXI. A pandemia atingiu em cheio o pilar da Convivência, calou o negação da crise e ao mesmo tempo exigiu uma mudança imediata dessa realidade. As escolas se esvaziaram e os alunos se mantiveram distantes, mesmo com a superoferta de recursos para aproximação tecnológica remota. A pandemia provocou também e migração de alunos da rede particular para a rede pública, para fugir da crise econômica e também pela percepção de que nesse contexto não havia muitas diferenças qualitativas entre os dois setores. A desconfiança e a percepção dos pontos frágeis do sistema massificado de ensino tornaram as escolas e os educadores reféns da sua clientela. “Não vejo necessidade”, esta foi resposta de um aluno ao professor durante o processo de busca e tentativa de restabelecer o contato deste com a escola, por meio de atividades remotas durante a pandemia. O aluno sabia da sua posição de vantagem e o professor tinha consciência da sua impotência argumentativa. Resultado: um ano letivo insustentável, completamente alterado nas suas bases legais e pedagógicas; confuso e repleto de correções e tentativas de normalização durante o seu percurso quase que unilateral.

O que podemos refletir e quais os rumos possíveis diante do Novo Normal?


O DESMONTE DA SALA DE AULA ENVELHECIDA E OBSOLETA

Atualmente o maior obstáculo para a propagação de uma nova educação e ensino é o cenário e o convívio caótico e físico das salas de aulas e os grandes e pequenos edifícios escolares. Tudo isso precisa ser desmontado como espaço literalmente concreto. Salas de aulas física fazem mal para os estudos porque tudo que antes só existia nas aulas fisicamente presenciais hoje é encontrado no universo virtual. As bibliotecas escolas já estão sendo desmontadas e os livros estão aos poucos sendo eliminados, juntamente com as estantes. Livros, didáticos e paradidáticos hoje são um transtorno para todos nas escolas. São um estorvo para alunos, professores e para a gestão escolar. As salas de aulas não tem mais função educativa. É só um espaço físico de convívio informal que colide frontalmente com as aulas. É um espaço inútil, ineficiente e perturbador. Num mundo de redes sociais virtuais, as salas de aulas físicas são anacrônicas e conflituosas. É um tipo de confinamento que só mantido como forma de encarceramento disciplinar, para professores e alunos, cumprindo horários e realizando tarefas repetitivas e sem nenhum poder de transformação. Os únicos espaços livres e educativos são as quadras de práticas esportivas ou ambientes de performance artística e tecnológica. De resto, é perda de tempo e desperdício de materiais. Durante a pandemia muitas escolas descobriram que as salas virtuais são mais eficientes do que as físicas e inúmeros aspectos, até mesmo no convívio. A arquitetura tem fito uma grande esforço para substituir as salas de aulas por espaços alternativos e mais amplos, mas esbarra nas interesses dos sistemas de ensino, que estão bem longe de atender as necessidades dos alunos. Recriar os espaços e redistribuir sua ocupação é a real necessidade educativa das escolas. Imagine uma escola sem sala de aula. É a escola do futuro. É difícil imaginar, assim como na canção infantil sobre a casa que não tinha teto, não tinha parede nem porta, não tinha nada. Mas, mesmo assim continuava sendo uma casa.
 
DESINDUSTRIALIZAR

o ensino e a educação e reinventar o espaço e o conceito de escola. Essa a principal tarefa dos educadores nesse início século XXI. Temos que dar um funcionamento temporal diferente nas aulas e atividades, se afastando da hora-aula fabril e das fileiras do taylorismo e do toyotismo, de reprodução de conhecimento mecanicista. Precisamos entrar no ritmo do tempo digital, que é, por incrível que pareça, mais humano e mais afetivo. É um ritmo híbrido de extroversão e introspecção, totalmente diferente das nossas estruturas barulhentas e persistentes do mundo analógico.



CRISE E IMPASSE MUNDIAL NA EDUCAÇÃO E ENSINO. Seis escolas históricas antecederam ao modelo atual, já superado e falido. Isso explica, em parte, a confusão e a crise que hoje atinge esse segmento estratégico e crucial na vida dos povos. A dúvida é a seguinte: como vamos sair dessa falta de perspectiva e rumo? No Japão, milhares de escolas foram fechadas por falta de alunos (Fotuko, recusa de frequência), por inadequação curricular e alto desinteresse dos estudantes. A "tecnologia" virtual que temos hoje e vendida com ensino digital não é tecnologia, mas apenas a digitalização da escola pronta-conteudista industrial.  Quem vai nos salvar dessa agonia?


NÃO É DIFICIL IMAGINAR

que as escolas nunca mais vão funcionar nos moldes tradicionais do século passado e que persistiu nesses primeiros 20 anos do atual. Todo o conjunto escolar estrutural e aparente ficou exposto durante a pandemia e houve uma quebra de confiança e na lógica de ensino-aprendizagem. Nada consegue reverter esse quadro de insegurança, descrédito e desprestígio. Nem os grupos que dependiam de alimentação, convívio escolar, auxílio social estão seguros de que as escolas possuem lastros e conexões importantes com suas vidas. O adiamento de investimentos e demora de soluções de qualidade nessas duas primeiras décadas frente às profundas mudanças - científicas, técnicas e mercadológicas - empurraram ainda mais a gestão escolar para o abismo da desconfiança e da incerteza. Para dar continuidade é necessário um desmonte e uma implantação funcional em bases totalmente diferentes das atuais, sem nenhum tipo de controle e vícios burocráticos legalistas. Do contrário as escolas vão virar grandes cemitérios urbanos, como aconteceu com a indústria automobilística e grande parte da cidade de Detroit.

NUNCA VIMOS TANTA GENTE DE FORA DA ESCOLA INTERESSADA NA VOLTA DAS ESCOLAS.

Ficou público e notório durante a pandemia que as escolas são a base econômica de muitos setores de consumo. Educação gera lucros altos e move negócios hoje muito incomodados com o declínio do consumo escolar. As pressões sobre os governos é mundial e as vozes escolhidas para advogar o retorno não expõem os verdadeiros motivos da suas inquietações, falando de riscos científicos e tecnológicos para o futuro. Ora , nunca ligaram para isso e deixaram as escolas às traças, preocupando-se somente quantidade e nunca com qualidade. A riqueza gerada pelas escolas não é compartilhada com os professores, verdadeiros produtores das mesmas. Há intermediários gulosos, sempre insaciáveis e que agora estão stressados com o declínio dos seus negócios e doutrinas de ensino. São fornecedores sufocados pelos seus estoques e técnicos da alta burocracia estatal com sérios problemas para explicar porque os alunos não querem retornar às aulas; e também não sabem o que dizer aos pais sobre os riscos do retorno. Além disso, como já foi dito aqui, uma massa de alunos das escolas particulares migram para a rede pública, pois perceberam que não há tanta diferença entre os dois sistemas, quando se trata de frequência e ensino remoto.

FACILIDADE DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO.

Se houvesse no ensino superior essa possibilidade de transferência da rede privada para a rede pública o cenário da educação no Brasil iria sofrer uma mudança drástica no sentido de reorganização e funcionamento. Um impasse histórico, ou melhor, dialético, nunca antes visto. Algumas universidades públicas jê simplificaram seus processos seletivos para captar alunos para cursos remotos no início do segundo semestre. Algumas delas já anunciaram um aumento de vagas reservadas para alunos de escolas públicas. Não cremos que vai funcionar se não houver simplificação social do vestibular. Essas universidades, estaduais e federais estão na mira de pressões políticas nesse sentido.

O CONTRADITÓRIO HUMANO

será a nossa marca mais comum nas próximas décadas. Ficaremos cada vez mais divididos entre os passado que está morrendo e o futuro que precisa nascer e ser vivido. Nossas mentes ficarão cheias de perturbações e os nossos cérebros cada vez mais inquietos. Criação e destruição lutarão em nosso íntimo. Nossas escolhas ficarão cada vez mais difíceis diante de coisas cada vez mais complexas. Não há outra saída senão a educação dos sentimentos e das emoções. Teremos que aprender a conviver com a incerteza e com as mudanças velozes. As crianças e os adultos de agora ainda estão assustadas e cheias de temor e ansiedade, as do futuro, seus filhos e netos, já nascerão completamente diferentes. E a Vida seguirá o seu curso, inexoravelmente.

TUDO VAI MUDAR

com novas ondas de pandemias, causadas pela intensa concentração urbana. É uma nova tendência do século e que vai forçar um êxodo gradual para o campo. Ficar em casa ou viver em novos espaços rurais será uma tendência nos próximos 80 anos. O clima vai mudar e a produção agrícola vai cair, afetando o comércio e a indústria. Esse estudo da OCDE é baseado num modelo de desenvolvimento industrial, que não vai sobreviver nos próximos 50 anos. A crise industrial, pela queda de consumo, vai criar novas formas de investimento, aprendizagem e trabalho. Sustentabilidade e trocas alternativas vai ser o novo tom da economia. As escolas gigantescas e fabris serão desmontadas e o ensino predominante será virtual, reduzindo drasticamente o magistério físico e presencial. A oferta de conhecimento e novas tecnologias funcionarão num outro paradigma de produção e consumo. As pesquisas serão feitas diretamente nas empresas, compactas , tipo startups. O Estado e a políticas públicas serão diferentes, de controle local , por meio de conselhos e não mais pelos poderes liberais nacionais federativos. A aristocracia das armas e do dinheiro será substituída pela aristocracia do poder de influência.

SOCIEDADE DO PAPÁ, DO COCÔ E DO XIXI.

Nossa sociedade está cada vez mais doente porque só sabe se divertir comendo e bebendo. Levamos comida a todos os lugares onde vamos e realçamos sua importância com foco das nossas relações. Morar perto de supermercados e feiras é mais estratégico do estar perto do trabalho ou da escola. Nada mais pode acontecer se não tiver comida. Antes era só nas festas. Agora, pela facilidade e oferta industrial, levamos comida para as igrejas, cinemas, passeios, museus, velórios, motéis, confraternizações, nos coletivos, aulas, enfim, todos os lugares nos quais vamos permanecer mais de 1 hora ou menos. Tudo foi transformado num pic-nic. Não existe nada sem praça de alimentação e lanches. As viagens rodoviárias são movidas pelas paradas para comer. As de avião são abastecidas de refeições e guloseimas. Ninguém fica satisfeito se não tiver beliscando ou bebericando. Na pré-história andávamos e corríamos para obter comida. Agora andamos e corremos nas ruas, praias e esteiras de academias para nos livrar do excesso de comida. Depois todos vamos para as farmácias e exames médicos em busca de curas e dietas milagrosas. Muitos morrem antes.

O NOVO NA EDUCAÇÃO

Nenhuma organização poderá praticar ensino e educação como vinha sendo praticado antes do COVID-19. A mudança será permanente. Nada será como antes. Nas escolas públicas, onde a aglomeração era comum nas classes e outras áreas de convívio, as medidas de reorganização deverão ser mais radicais. A frequência não mais será diária, sobretudo no ensino médio e superior, sendo complementada pelo ensino remoto, que veio para ficar. São novas regras com suporte tecnológico fartamente conhecido, mas que não era aplicado por inúmeras razões e conveniências e que agora não tem mais como evitar. O vírus já fez a sua parte na transformação. O restante é com a sociedade.

NÃO DÁ PARA ACREDITAR MAIS

Em promessas de combate à corrupção. É um discurso fácil e vazio, bravata de heroísmo e mitologia barata. Combater a corrupção é só promessa eleitoral. Ninguém tem ou já teve esse poder no Brasil. É um emaranhado gigantesco e complexo, de milhares de cabeças. Quando uma é cortada aparece mais três para defender o sistema. É como a burocracia e outros vícios da sociedade e do Estado. Estão interligados uns aos outros num processo de cumplicidade silenciosa e dogmática. Qualquer ação contrária é vista como uma heresia e o responsável é severamente punido.

10 MILHÕES DE CRIANÇAS o mundo podem não voltar à escola após o confinamento e pelas consequências econômicas do novo coronavírus, alertou a ONG britânica Save the Children. Antes da pandemia, 258 MILHÕES de crianças e adolescentes estavam fora do sistema educacional. Segundo o informe, 1,6 BILHÃO de alunos tiveram que abandonar as aulas em escolas ou universidades por causa da pandemia. "Pela primeira vez na história da humanidade, uma geração inteira de crianças viu seu ritmo escolar alterado", destacou a Save the Children em seu relatório. A associação, que pede a governos e doadores ação para enfrentar o que chamou de "urgência educacional mundial", considera que até 9,7 milhões de alunos podem abandonar a escola para sempre até o fim do ano. Sem estas ações, as desigualdades existentes hoje "vão aumentar entre ricos e pobres, e entre meninos e meninas", declarou em um comunicado Inger Ashing, diretora-geral da Save the Children.


MOMENTO DE INCERTEZA

Hora de pensar e refletir. Não podemos fazer planos antes dessa reflexão. Tudo que existe agora tem outros significados e sentidos. Guarde seus pertences, use somente o necessário pois a viagem na qual entramos será longa e precisaremos de todos os recursos disponíveis para esse deslocamento. Não se precipite e não faça planos, ainda. Quando decidir partir, tenha em mãos o seu mapa de percurso. Descubra e se junte aos que se afinizam com os seus anseios. Isso natural, é a bússola que vai servir de guia.

O COVID 19 MUDOU O MUNDO

Não há horizonte nesse modelo que conhecemos. Vamos ter aprender a viver num mundo totalmente diferente, como quando surgiu o computador e a internet. Um terço da população mundial está isolada (2,5 bilhões de pessoas). Depois da Peste Negra, no século XIV, aconteceu algo muito semelhante. É possível que tenhamos que viver mentalmente além da quarta dimensão, que é a vida digital e interplanetária. Só quem souber ficar em casa - refletir sobre diferentes limites- é que vai aprender isso: novos significados, novas conexões, novas regras, novas possibilidades. Finalmente saímos do mundo industrial, plano e mecanicista. É a maior crise global desde a peste bubônica, sucedida pela Renascimento.

GÊNIOS DO ENSINO E DA EDUCAÇÃO

Nas páginas de Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, publicado na França em 1860, é possível encontrar um curso completo de iniciação ao conhecimento: filosofia, história, arte, geografia, geologia, biologia, física,química,matemática, direito, economia, sociologia, psicologia, medicina, engenharia, contabilidade, administração, informação, comunicação, linguagem e religião. Os escritores e editores dos tempos antes do século XX sabiam que seus leitores estavam nas cidades, mas também nos lugares mais remotos e inacessíveis do planeta e queriam ter saberes que jamais chegariam onde estavam se não fosse pelas cartas ou pela narrativa literária dos romances. Os autores imaginavam que seus livros iriam parar nas mãos de pessoas isoladas em suas casas, nos quartos, nas varandas, sob as árvores, nos galpões, nas celas, enfim, onde houvesse paixão e curiosidade. Escreviam pensando neles. Era uma época em que as pessoas eram cultas porque tinham fome de experiências e não somente de informações efêmeras.

CONEXÃO ESPIRITUAL

Para os que cultivam o sagrado, o religioso e o místico, nunca deixem de orar e meditar, nem que seja somente pela emissão de ideias positivas. Se não quiser pedir para si, peça para os outros. Segundo Einstein, o universo é a mente de Deus, por dentro e por fora (o uno e o verso). Pelo pensamento e pelos sentimentos podemos estar em perfeita harmonia com esse sagrado – que também é novo- e com tudo que vive e existe, por meio das leis naturais. A oração e a meditação é a lei natural de adoração e faz essa conexão mental do Todo com todos. Diante do barulho intenso do mundo e das salas de aula – que é o natural das crianças e adolescentes governados pelo corpo e pelo relógio da extroversão – nós, os adultos, avançando na idade e tentando nos governar pela bússola e pela psíquico, podemos restaurar e valorizar o silêncio por maio das inúmeras ferramentas da introspecção.

CONTEUDISMO

Todo mundo no universo da educação está super preocupado em superofertar de informações. Bastaria ler bons livros. Nos anos 70 em NY a mais famosa escola pública da cidade (Franklin Roosevelt) foi salva da delinquência e do crime somente com a leitura de livros clássicos. Nenhum professor conseguia ensinar suas disciplinas. Ex-alunos souberam da crise e voltaram para contar suas experiências de sucesso e também de fracasso. Todos tinham um boa história extraída de um livro que salvaram suas vidas.

CRISE DE IDENTIDADE E O FUTURO. Memes na internet brincam com os cursos superiores para ironizar escolhas baseadas em pressões sociais e familiares. A questão é: fazer um curso superior sem propósito definido nos leva à algum lugar? Por que não adiar essa escolha para um momento emocionalmente mais propício? Por que não escolher um trabalho ao invés de um curso superior que supostamente vai definir uma profissão? QUE TAL DAR UM TEMPO?

A LEI É A LEI , SOBRETUDO PARA OS QUE NÃO A ENXERGAM. As pessoas que não compreendem o que é viver em sociedade geralmente são as que só se preocupam consigo e com os seus. Não têm senso nem responsabilidade com o todo. Pensam e agem de forma individualista: meu dinheiro, minha vida, minha família, meu negócio, meu emprego, minha sobrevivência. Tudo meu ou minha. Não conhecem o plural e a diversidade. O que eu penso, o que eu quero, o que eu tenho direito. Até a Igreja é " a minha igreja" e a "minha salvação". Não tem dever, não tem o outro, não tem nada e ninguém que não esteja fora da sua esfera de interesse. O outro, só se for alguém com as suas mesmas características e interesses. Uma pena, porque elas só funcionam socialmente á base de repressão e da punição. Vigiar e punir, é a única linguagem entendem, ao invés da liberdade com responsabilidade. Se não respeitam a si e a ninguém e não se dão o respeito, que se abata o rigor da lei sobre eles, doa a quem doer, pois os que vivem na ordem e na disciplina não podem ser aviltados pelos que as rejeitam colocando todos em risco.

As verdades que conhecemos antes da Ciência vieram até nós, durante milênios, por meio da Religião. Os sacerdotes eram os nossos cientistas e os dogmas os nossos paradigmas. Atualmente, as verdades mudaram novamente de mãos e de ambiente, não estando mais com os cientistas nem nos laboratórios. Será que elas estão voltando para os filósofos? Ou será que elas continuam escondidas nas obras dos artistas?


DOCÊNCIA, TUTORIA E TECNOLOGIA

A tendência mundial na profissão docente é a figura do professor pesquisador-produtor e não mais o reprodutor de conhecimento. É uma atuação sempre instável, desconfortável e mutante.

A figura do professor tradicional, em zona de conforto intelectual e funcional, como conceito e como prática de atuação profissional, já está numa crise avançada e tende desaparecer, juntamente com os formatos escolares físicos das escolas da sociedade de massas. Na escola industrial, do século XIX-XX, onde a informação dependia de interlocutores capazes de reproduzir os conteúdos, a figura do professor protagonista era essencial, como o capataz numa linha de produção fabril. Na escola que hoje se configura nessa sociedade em processo de desmassificação e estruturada em redes digitais, os professores essenciais serão bem diferentes porque eles não vão mais reger salas e coletivos de formato físico.

Estamos em novo momento e diante de uma nova realidade que só funciona dentro de novo modelo de ensino. É uma nova modalidade social e economicamente necessária – a remota – na qual o receptor tem que ser autônomo e capaz de conduzir sua própria aprendizagem, pelos obstáculos e descobertas, em todas as faixas etárias.

As tutorias são o foco educativo. E elas são predominantemente digitais. O uso dessa ferramenta pedagógica de instrução é parte do currículo, como item básico de alfabetização digital. Aprender a ler e escreve será necessariamente aprender e explicar como se aprende por meio tutorial. Primeiro será necessário ensinar como se usam o manuais operativos e somente depois chega-se aos conteúdos disciplinares desejados.

Já vivemos num universo tecnológico que já tinha sido previsto há mais de 20 anos nos Quatro Pilares para o século XXI e que não conseguíamos enxergar porque não havia necessidade real dessa informação. Agora é diferente. Essa informação é praxe. Se você não lê e não entende o tutorial você não avança. Estaciona e se perde. Daí a importância atual das tecnologias de informação e comunicação digital, tanto quanto foi e ainda são a escrita, a leitura, a interpretação textual e operações de cálculos. O equipamento digital e suas ferramentas de interação são novas cartilhas de alfabetização e manuseio de novos conteúdos.

Diante desse novo cenário, o professor analógico tem que fazer um upgrade pessoal em todos os aspectos da sua atuação docente. Ele não terá mais um público fisico-presencial predominante. As escolas vão diminuir seus espaços e suas frequências físicas, não só por razões sanitárias, mas principalmente por razões funcionais. Grandes espaços físicos são de alto custo funcional e de baixa eficiência operacional.


Trabalhando, explorando e navegando no ambiente digital. Tecnologia não tão nova mas que não era aplicada por falta incompatibilidade cultural e funcional com o sistema analógico.



O pilar do convívio já é outro paradigma de novas experiências por via remota. Para os alunos é muito confortável participar de uma reunião remota sem que sejam forçados a se exporem fisicamente. Apenas os alunos e professores que não possuem habilidades auto-tutoriais têm dificuldades com as novas tecnologias. As novas gerações já vão nascer diferentes nesse aspecto, pois vão crescer em ambientes onde a habilidade tutorial é comum e rotineira. Quando chegarem na idade escolar, não terão problemas de adaptação.

Hoje o ponto mais nevrálgico do ensino é este: a ruptura com o passado que ainda resiste e a adaptação ao futuro que já chegou. Essa transição já foi concluída em quase todas as áreas e segmentos, sobretudo no mercado. Na educação ainda há resistência, por questões de crenças e formalismos burocráticos que não aceitam que o sistema educativo industrial chegou ao fim, mesmo com seu vasto suporte institucional e legal.

Não haverá mais os grandes espaços escolares fragmentados em classes e departamentos físicos. Os currículos terão que ser mais ágeis e flexíveis porque não haverá mais ênfase nos conteúdos, já que papel do aluno e a função do professor será a pesquisa, por meio de habilidades e competências, em formato de descobertas e não só de conceitos nominais.

A formação docente essencial não será apenas seu reduto de conhecimentos específicos, mas a capacidade de facilitar a adaptação dos alunos no processo de pesquisa e apropriação de qualquer tipo de conhecimento.

Não será mais necessário contratar professores por disciplinas e áreas e sim por habilidades científicas e tecnológicas, seja qual for o segmento.

A marca do professor de ensino básico, como tendência e necessidade, é a tecnologia metodológica cientifica (pesquisa) e operacional dos equipamentos. O conhecimento mudou de posição, de lugar e de prioridade.


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