segunda-feira, 21 de junho de 2021

MUDAR COM AS VISÕES DE MUNDO

 


Proposta 5 -MUDAR COM AS VISÕES DE MUNDO



COMO VEMOS O MUNDO E A NÓS MESMOS

Diferente do mecanismo instintivo e autômato dos animais, a Humanidade percebe e observa o mundo exterior para compreender o que se passa no seu próprio mundo interior (a mente). O mundo exterior é relativamente calmo e estável e as mudanças são sempre iguais, repetitivas e previsíveis. Já o mundo interior é marcado por uma intensa inquietação e mudanças que causam sofrimento psíquico (mental). Para acalmar essas tormentas da mente, cheia de dúvidas e incertezas, o ser humano busca respostas, paz e tranquilidade observando as coisas externas e comparando estas com as coisas que acontecem dentro de si mesmo. Observa principalmente como outros seres humanos reagem diante das mesmas situações e como conseguem equacionar os problemas. 

Essa busca de respostas e soluções tiveram fases históricas e gerou diferentes formas de conhecimento:

MAGIA: encanto com as coisas ou fenômenos da natureza;

TOTEMISMO: adoração religiosas pelas coisas e objetos simbólicos;

MITOLOGIA: explicação e narrativas metafóricas das coisas;

FILOSOFIA: explicação racional e lógica das coisas;

CIÊNCIA; experimentação sistemática das coisas.

Essas fases históricas ocorreram simultaneamente com as cinco fases de observação e busca de respostas das coisas, formando diferentes formas de inteligências e progressivas VISÕES DE MUNDO:

PLANA: o mundo era somente uma grande superfície (nomadismo da pré-história)

GEOCÊNTRICA: o mundo é único e redondo (território agrícolas e comerciais da Antiguidade)

SISTÊMICA: o mundo e o corpo humano, bem como a sociedade é semelhante aos planetas que giram em torno do sol (sistema solar (modernidade)

PLURISSITÊMICA: o mundo é uma diversidade de galáxias e sistemas solares. (pós-modernidade)

COMPLEXA: o mundo é plural, complexo, incerto e imprevisível, como os buracos negros e como próprio ser humano. (complexidade)


COMO AS COISAS MUDAM

A forma como vemos o mundo influencia diretamente na forma como vivemos e produzimos conhecimento e riquezas. O nosso entorno é a realidade criada pelos nossos pensamentos, sentimentos e ações. Essa é, em parte, a diferença entre riqueza e pobreza, que se dá com as diferentes formas de produção, apropriação e distribuição de recursos disponíveis. Ao mudar a nossa visão de mundo, mudamos também o mundo que nos cerca.

As diferentes visões de mundo surgiram através da ampliação da consciência, por meio da expansão da mente e do cérebro em confronto de adaptação ao meio. Assim como o Universo se expande, o cérebro e a mente realizam simultaneamente a mesma operação pela desenvolvimento da consciência.

Os nômades desenvolveram a visão linear primitiva observação o chão e o horizonte em busca de comida; os agricultores sedentários desenvolveram a visão territorialista.

Os comerciantes e navegadores romperam os limites da terra aprenderam a transitar pelos oceanos, sem perderem, lendo e observando o céu. Ao contrário dos terraplanistas, eles saíam e podiam voltam para casa, a zona de conforto sedentária.

Os astrônomos, observando e lendo o céu e as estrelas, romperam a visão geocêntrica e deram a visão heliossistêmica descobrindo a mecânica celeste dos planetas e do giro deles em torno do sol; e finalmente, os físicos quânticos romperam o mecanicismo estático newtoniano para apresentar uma nova dinâmica do universo mostrando-o de forma expansiva e incerta, observando o comportamento das partículas do átomo e o estranho e ainda enigmático comportamento dos buracos negros.

Historicamente, a humanidade viveu quatro grandes cosmovisões, cosmogonias ou ainda visões de mundo, sempre expandindo a percepção cerebral e raio de observação mental:

VISÃO PLANA

Na Pré-História a nossa visão de mundo era plana e reta, reflexo da nossa atividade de sobrevivência nômade. Não tínhamos endereço fixo e andávamos dia e noite para garantir alimento por meio da pesca, caça e coleta. O nomadismo ereto (postura vertical da coluna vertebral) nos garantiu a exploração territorial da natureza pela ampliação ótica à distância desenvolvendo a Inteligência cinestésica e espacial. Agilidade e esperteza física, aliada à capacidade de enxergar os horizontes despertou mentalmente no ser humano a noção de tempo futuro e controle do tempo presente (economia).

VISÃO GEOCÊNTRICA

Nas primeiras civilizações passamos a produzir cultura. Fomos transformando e nos distanciando da natureza criando tecnologia de sedentarismos e confortos físicos e psicológicos: agricultura, pecuária e comércio. A vida urbana e sedentária no dá endereço fixo e estabilidade. Essa acomodação cria as cidades, a riqueza territorial, as fronteiras geográficas, os impérios, as guerras pela posse de terras, base da economia agrícola. Nossa visão de mundo abandona a marca retilínea e se expande para dimensões de curvas e círculos. A Terra não é mais plana e infinita-abismal de vales, montanhas e mares. Ela se torna ampla e redonda, porém limitada pelo circulo terrestre. Somos únicos, não nos interessamos e nem desconhecemos o céu, exceto pela visão teológica, mística e supersticiosa. Essa visão de mundo vai durar milhares de anos, passando por toda a Antiguidade, pela Idade Média até a Renascença, com o advento do capitalismo mercantil.

VISÃO HELIOSSISTÊMICA

A descoberta da pluralidade de mundo e um sistema solar nos remete a ver o mundo com um sistema, uma engrenagem, um relógio de tempo absoluto e inexorável. Essa interpretação mecanicista da física newtoniana é transposta para a nossa realidade corpórea e para as nossas instituições sociais. Nosso corpo são órgão e sistemas. Nossas instituições, famílias, empresas e governos passam a ser sistemas, sistematizações matemáticas ou numéricas , tal qual funciona no universo de planetas e sós da física mecânica e previsível. As teorias da burocracia e da administração seguem a mesma tendência por meio dos processos de produção seriada e fragmentada pela quantificação industrial. Quando maior a produção, maior o lucro, presumivelmente controlados com aplicação da hora-trabalho. Para garantir a continuidade da expansão e conquista dos territórios mercadológicos, as grandes unidades industriais se associam ao capital financeiro e ele a entregam todas as suas potencialidades. O crescimento torna-se alienado às regras do mercado especulativo dos bancos e das bolsas de valores. Para sobreviver as empresas industriais e de serviços passam a se comportar como bancos, vendendo créditos e não seus serviços e mercadorias. A sociedade e consumo ajuda essa cultura da possibilidade de ter o que não podemos comprometendo o nosso futuro com dívidas praticamente impossíveis de serem quitadas, por causa dos altos juros, base do lucros.

A COMPLEXIDADE

A falência da física mecanicista e descoberta do universo quântico e complexo de Einstein, Planck e Born coincidem com as novas inquietações sociais e humanas. As crises sucessivas na economia capitalistas não são mais ciclos de desconforto e acomodações do mercado. As especulações financeiras predatória chegaram ao limite e revelaram uma nova realidade para manter o equilíbrio social: sustentabilidade. Não há como fugir dessa nova forma de viver e conviver. O esgotamento dos recursos naturais e explosão demográfica (que antes era a base da sociedade consumista) tornaram-se graves risco para os negócios e para a nova sociedade que ser organiza em bases totalmente novas de política e cidadania. O fim dos empregos, do paradigma industrial e da especulação financeira também significa a rearticulação e a recriação de novas forma de produção e distribuição da riqueza.





AS GRANDES ONDAS TECNOLÓGICAS TRANSFORMADORAS


AGRÍCOLA (Terra territórios físicos). INDUSTRIAL(máquinas, sistemas e territórios mercadológicos. INFORMACIONAL (revolução digital e da biogenética)

As fases Capitalistas – Mercantil (trocas), Industrial (produção), Financeira (especulação)

As crises capitalistas – de Retração e Desenvolvimento dos Séculos XIV e XV (geradora da expansão marítima)– Superprodução de 1870 (geradora do imperialismo industrial e da I Guerra Mundial) – Superprodução dos Anos 20 (geradora do Crack da Bolsa de NY, dos regimes totalitários e da II Guerra Mundial)- e a crise de 1990 (causada pela revolução tecnológica e pelo fim da Guerra Fria (geradora da Globalização).




OS CONFLITOS E MUDANÇAS DE PARADIGMAS


A falência do modelo industrial e o surgimento do paradigma informacional revela uma transição entre o mundo no qual convive duas gerações e dois momentos conflituosos da história contemporânea: um para qual fomos treinados e que está desaparecendo; e outros para as novas gerações já está vivendo mas não sabe exatamente como se comportar.

TEMPO ABSOLTUTO - TEMPO RELATIVO – a física newtoniana foi substituída pela física quântica. As novas tecnologias permitem o uso do tempo pessoal e social sem os controles burocráticos no mundo industrial. As horas técnica do relógio são substituídas pela bússola das novas explorações e descobertas. A percepção que tínhamos do tempo não vinha de nós mas da própria engrenagem da qual acreditávamos que ele se manifestava. Por isso a que não havia mudanças e sim repetições em nós e nas coisas; e que tudo era estático e repetitivo. Ao percebermos o tempo pela ótica do observador e não da engrenagem, tudo deixou de ser absoluto, imutável e passou ser relativo e transformador.

ESTABILIDADE–INSTABILIDADE – Nada é mais sólido e seguro diante das inquietações constantes dos mercados. As crises que eram cíclicas agora são permanentes. Os negócios duradouros são consumidos pelas mudanças velozes e tornam os postos fixos de trabalho muito dispendiosos. Os vínculos empregatícios duradouros são trocados por contratos de prestação de serviços com prazo cada vez mais curtos.

PREVISIBILIDADE – IMPREVISIBILIDADE – Nada mais pode ser previsto com as longas antecedências garantidas pela rotina social. Os planos e planilhas sofrem constantemente com as mudanças bruscas dos mercados e com a saturação e desatualização das informações.

CERTEZA-INCERTEZA – Se não há previsão como podemos ter certeza de como as coisas serão no futuro? Isso tornam frágeis os planejamentos e enfraquecem as estratégias de ação feitas para funcionar por longos períodos e que agora só valem para as próximas horas.




PRIVACIDADE-TRANSPARÊNCIA – Os segredos cotidianos da vida pessoal, transferido para as práticas da vida funcional e política não podem mais ser exercidos. Todas informações são de fácil acesso, expostas e banalizadas pelas redes sociais. Tudo que se faz hoje é de interesso e acesso público. Todos sabem de tudo e isso torna a informação secreta e de origem suspeita uma arma contra os próprios portadores. Pessoas , empresas e governos são regidos por uma Sociedade do Cidadão Consumidor

PREDATORIEDADE-SUSTENTABILIDADE – Os recursos naturais e os mercados atingiram situações-limite. O consumismo e a destruição ambiental vem sendo barrados e altamente questionados, sendo substituídos por padrões de consumo fundados reciprocamente na responsabilidade social e na consciência.



CLASSE E SUPERCLASSE - as tradicionais formas de posicionamento e mobilidade social (castas, estamentos, classes) e posse do poder estão sendo alteradas radicalmente pelas formas alternativas de influência. As aristocracias do dinheiro e das armas – concentradas, por exemplo na ONU e no FMI se encontram e passam a ter mais influência nas reuniões informais dos fóruns temáticos internacionais. A discussão sobre o clima mundial em Davos reunindo empresários, artistas e cientistas no Fórum Econômico de Davos tem mais peso do que a reunião e votação de chefes políticos e militares do Conselho de Segurança da ONU. Uma superclasse com o poder de influenciar pessoas pelo carisma tem mais expressão social do que pelas ameaças de violência armada e extorsões do sistema financeiro.David Hotkopf, ex-assessor de Bill Clinton. Sua abordagem se concentra na mudança das esferas de poder, registrada em dois livros: Superclass, Global Power, já traduzido e publicado no Brasil; e Power Inc. (sem tradução). No primeiro ele identifica uma nova elite ou aristocracia carismática, cujo poder de influenciar pessoas vem superando a aristocracia da força bruta e do dinheiro, que reinou até o fim da Guerra Fria. Pessoas como o cantor Bono Vox, a atriz Jane Fonda e o escritor Paulo Coelho estão numa lista de 6 mil pessoas mais influentes do mundo, juntamente com o magnata do petróleo Carlos Slin, os donos do Google e estadistas como Lula e Barack Obama. Na lista há também traficantes de armas e terroristas, mostrando a neutralidade realista do estudo. Para ele, a ONU perdeu um pouco seu brilho e o centro da cidadania nacional de Nova York vem se deslocando para Davos, no Fórum Econômico Mundial. Davos é ponto de encontro de cidadãos globais. Já no livro Power Inc. Hotkopf traça um histórico das relações íntimas das mega corporações empresariais com os Estados, demonstrando que essa realidade tende a mudar muito nas próximas década com o advento da Era da Transparência Digital ou Era do Weakleaks. Nada mais é segredo, nada mais é privativo. Portanto, façamos sempre a coisa certa. Julgamentos do STF eram escondidos da opinião pública, como segredos de Estado. Hoje estão na mídia. Na Era das Redes Sociais as coisas estão mudando e as empresas também deverão se afinar no mesmo diapasão.



APRENDER - APRENDER A APRENDER - Diante desses novos cenários, as instituições sociais se acercam de novos atores sociais, de novos pensadores, novas mentalidades, novo perfil de investidores, clientes, gestores e funcionários. Aprender significava se apropriar do conhecimento como capital bancário e acumulativo (quantidade de informações). Agora importante e essencial é aprender como se aprende, pois não há mais necessidade de apropriar-se de algo que se desatualiza e se torna rapidamente obsoleto. A nova regra não é o diploma nem o monopólio ou exclusividade do exercício da profissão e d tecnologia acumulada. A nova lógica é a capacidade de adaptação às novas condições de trabalho, acesso ao conhecimento e criação de novas tecnologias. LIFE LONG LEARNING, é o novo paradigma.

As mudanças mais importantes em curso não estão ocorrendo somente no cenário externo da sociedade, mas principalmente no cenário mental das pessoas. O paradigma humano e planetário também mudou: São as pessoas que mudam o mundo e não somente o mundo que muda as pessoas.





EDUCAÇÃO E COMPORTAMENTO

Existe no meio educacional contemporâneo (formal e corporativo) uma tentativa de divórcio entre ensino e educação nas práticas docentes. É recorrente nos discursos escolares o falso conceito de que professor ensina e família educa, inclinando a pratica docente para a função técnica e didática sem os elementos comportamentais da aprendizagem. Essa tentativa de separar e fragmentar a apropriação do saber em práticas exclusivamente pelos processos de transmissão de informações sempre esbarra nos limites sócio-emocionais da aprendizagem, quase sempre rotulada de incapacidade ou inabilidade. Esta é uma abordagem seletiva e excludente por contempla somente uma minoria que assimila e que não tem dificuldades. Acontece que estes considerados mais capazes não precisam da intervenção pedagógica. Ensinar aluno inteligente e educado é fácil e na maioria das vezes desnecessário. Difícil e necessário é ensinar e educar o que não possuem habilidades, tornando-os capazes. Outra questão sobre esse divórcio de aprendizagem: e quem não tem família e, mesmo tendo, não pode contar com as pessoas que poderiam educá-las, mas não conseguem? Estão condenados a não aprender? A escola e os educadores não tem essa responsabilidade? Ou podemos fazer essa opção de escolhermos ser apenas “ensinadores” sem função educativa?

Essa introdução serve para lembrar que professores não são pais dos alunos, não são psicólogos, não são especialistas médicos, mas são especialistas humanos e comportamentais sim. Todas as licenciaturas acumulam cargas horárias que vão além das disciplinas específicas que somam , no mínimo, 700 horas teorias e práticas e especialidades humanas. O professor licenciado tem todas as condições de exercer as funções de transformador comportamental quando aplica os conhecimentos adquiridos nessa carga horária distribuídas em especialidades humanas e também fundamentadas na sua vivência humana, pessoal e social. Quando o professor diz que não é médico nem psicólogo para exercer tais funções está dizendo também que estes profissionais também não são educadores e não possuem a capacidade de convencer seus paciente a ter uma conduta compatível com o tratamento proposto. Isso significa que, em tese, o professor é também um terapeuta quando consegue reestruturar mentalmente (pensamento, ação e sentimento) um aluno e conduzi-lo à “cura” ou mudança comportamental que resulte na aprendizagem. Não há como negar que as escolas contemporâneas perderam ou nunca tiveram a capacidade de promover integralmente a aprendizagem porque fizeram essas divisão de funções. Mais ainda: dividiram e fragmentaram o conhecimento em especialidades, perdendo o conceito de totalidade e universalidade dos saberes. Mesmo essa tentativa de diálogo interdisciplinar e transdisciplinar não consegue os resultados de universalidade porque é superficial, revelando que, na verdade, nem deveria ter disciplinas específicas e sim compartilhamento de áreas de conhecimento. È um fenômeno que atingiu negativamente tanto o ensino básico como o superior.


PROFESSOR, EDUCADOR E TERAPEUTA

Nas suas práticas escolares o professor acumula naturalmente as funções de ensinar e educar, mesmo que ele não concorde e aceite que isso seja uma coisa real e concomitante. Não se trata de uma conclusão ideológica, uma crença, mas algo muito próximo da realidade docente. Nenhuma técnica pode ser transmitida quando não há vontade de aprender nem disposição de ensinar e educar. A educação é essencialmente intransitiva. Ninguém educa ninguém, pois existe uma resistência natural à mudança de comportamento. Quando não há resistência, provocada pela necessidade pessoal ou pelo interesse espontâneo, ocorre então a educação e isso pode ou não facilitar o ensino, dependendo da circunstância. Essa é a nossa ética e reflexão sobre ato de ensinar e educar. Não se trata de moral e valores.

Interessante como a nossa sociedade ainda resiste à terapia psicológica tanto quanto à educação escolar. Prefere medicalizar os problemas e adotar soluções químicas socialmente aceitas  a ter que mudar de comportamento e ainda suportar o preconceito de que o mau desempenho escolar e as dificuldades emocionais são fraquezas de caráter e defeitos psíquicos. A educação sócio-emocional em pauta nas bases curriculares tem esse papel de quebrar tabus e oferecer a oportunidade de reajuste diante dos desequilíbrios causados por uma sociedade doente. Hoje existem nas esquinas mais farmácias (drogarias) e lazer químico e gastronômico do que escolas e outros ambientes culturais saudáveis. As epidemias psíquicas (ansiedade pânico e depressão) caminham lado a lado das doenças causadas pelos excessos de consumo (obesidade, diabetes e cardiopatias). Sem esquecer , obviamente, dos suicídios.

Então, para concluir , não podemos aceitar o argumento de que professores não estão ou não foram preparados para lidar com problemas sócio-emocionais dos alunos. Todas as licenciaturas e bacharelados possuem em suas grades curriculares informações e práticas suficiente para formar e habilitar os docentes educadores e especializados em terapia e cura comportamental escolar.

Abaixo ilustramos a nossa fala sobre a competência dos professores em lidar cm questões socioemocionais  com a grade curricular de uma licenciatura em Química, cujas disciplinas Pedagógicas com 56 horas cada, mais 200 horas de atividades de extensão científica e culturais. É uma prova de que seus egressos são capacitados para tal função de ensino-aprendizagem, cuja aplicação em múltiplo processos e formatos não passam de terapia e cura dos distúrbios de ensino-aprendizagem. Óbvio também que não condenamos nem dispensamos a ajudas das ferramentas terapêuticas psiquiátricas e psicológicas quando há rupturas e descontrole psíquico.

Antropologia e sociologia da educação

Ética, Estética e Educação

Gestão Educacional

Educação Especial Inclusiva

Interdisciplinaridade

Psicologia da Educação

Filosofia da Educação

Educação Permanente

História da Educação

Atividades de Extensão científicas e culturais

No Brasil as profissões graduadas – bachareladas e licenciadas – são reguladas por lei em seu cenário de ação e regulamentadas pelos sistemas vigentes. A educação não é diferente da medicina, da psicologia, engenharia, direto ou  da contabilidade. Temos um lei constitucional de base e dela podemos extrair inúmeras possibilidades de ação (permissões) e não somente as limitações (proibições). Não há legalmente falando nenhuma sobreposição entre limites e possibilidades entre as áreas. Elas são e devem ser sempre uma complementações de saberes entre si. Essa é a regra para o exercício das profissões e a relação entre elas. Não há profissão inferior ou superior nas graduações, muitos menos importantes e desimportantes. Todas elas têm seu papel e sua função científica e social paritária. Por mais que surjam os conhecidos mecanismos politicos de manipulação para impor atos e procedimentos exclusivos no exercício profissional, o conhecimento sempre desafia e supera essas imposições. O único poder real e exclusivo das profissões é sua capacidade de manter-se atualizado e coerente nas suas práticas, afastando-se da obsolescência. Este é ponto fundamental para  entender e compreender o papel social do educador. Ninguém sabe tudo a ponto de impedir, por questões de interesse corporativo e institucional, que outros conhecimentos e experiências sejam validadas como legais e legítimas.

Os distúrbios e transtornos da aprendizagem  sempre levam o educador a pensar e agir em busca de soluções para as dificuldades do aluno, por si mesmo, investigando, diagnosticando e prognosticando. Dessa forma ele tenta, de todas as formas possíveis, desenvolver técnicas para corrigir as limitações e desenvolver as potencialidades do educando. Pode também buscar a ajuda de outros especialistas, caso perceba maior complexidade no tratamento do problema. É claro que não estamos nos referindo à exclusividade de especializações, como querem os segmentos corporativos, e sim a universalidade de saberes que caracterizam todas as áreas. Assim como os chamados especialistas podem pensar e intervir nas questões cognitivas e comportamentais, o professor também pode e deve proceder da mesma forma na sua atividade científica. O professor educador tem formação conceitual e procedimental para empreender, pela terapia educativa, a reestruturação mental do educando. Não é um simples leigo e reprodutor de conhecimento. Pode e deve pesquisar e produzir conhecimento científico a partir da sua própria experiência docente e isso lhe dá ampla autoridade e competência natural – e não apenas corporativamente certificada – para curar seus alunos doentes no desenvolvimento da aprendizagem. Que percebe e reúne os primeiros indícios dos distúrbios e transtornos da aprendizagem é o professor e dele depende outros especialistas para aprofundar outros diagnósticos e prognósticos. Muitas vezes ele já sabe que as limitações dificilmente serão ultrapassadas e reconhece que deve respeitar esses limites e aprender a conviver com eles. Se esse limite incomoda e desafia a sua atividade docente é até compreensível que busque outras especialidades, mas nunca deve deixar de reconhecer  que toda atividade e conhecimento tem limitações. O conhecimento e difusão das habilidades sócio-emocionais, construídas a partir da descoberta das inteligências múltiplas e das competências gerais, coloca essa questão da condição do educador reconhecidamente como cientista, naturalmente como ele é. Caso ele recuse essa função e responsabilidade, não deve ser admitido nos quadros do magistério e da gestão escolar só porque possui certificação formal de conhecimento que não realidade não possui e não pratica. Sempre que cobrado nessa postura, deve responder prontamente com suas habilidades intelectuais e principalmente vivenciais. Antigamente os professores usavam jalecos brancos, para se protegeram do pó de giz ou da sujeira das salas de aula, e isso lhe dava uma aparência solene de outros profissionais cujo saber impunha respeito e autoridade. Com a massificação do ensino industrial, proletarização e desvalorização da função docente, os profissionais de ensino recorreram à informalidade de postura e relaxamento da aparência como forma de sobrevivência. Houve também a quebra da exclusividade docente e o afrouxamento das regras trabalhistas, permitindo-se legalmente que qualquer pessoa com formação mediana e superior exercesse “em caráter precário” a função de professor. Foi assim que, diante das crises econômicas , os bacharéis de todas as áreas invadissem as escolas em busca de renda, sem serem enquadrados nas regras pedagógicas mínimas para o exercício dessa função.   O relaxamento também ocorreu na formação docente surgindo cursos de estrutura teórica precária, imitando e formato superior a antiga formação de magistério, mais preocupados com a certificação cartorial dos diplomas e menos focados no conhecimento. Não muito diferente da outras formações profissionais.

O advento de mudanças tecnológicas gerou um novo cenário de perturbações mentais e comportamentais na sociedade e consequentemente nas escolas. Hoje existe uma demanda de saúde mental nas escolas e que não pode ser atendida exclusivamente pelos profissionais de saúde. Médicos, psicólogos, assistentes sociais e advogados não podem fazer parte dos quadros escolares como função fixa e estrutural. Mesmo que aja uma aproximação por necessidade de soluções especializadas, o educador é sempre a figura profissional de destaque e excelência institucional mais indicado para exercer essa função na escolas. Futuramente essas profissões terão formação educativas para esse fim, assim como os educadores poderão ensinar e atuar em outros cenário fora do mundo escolar.  As escolas e seus currículos não devem ser construídos para atender demandas profissionais, dos professores e de outras áreas, e sim para atender as necessidades educativas dos alunos. É inaceitável, por exemplo, que os órgão de classe dos psicólogos e assistentes sociais exijam cargos nas escolas só porque esses segmentos não estão encontrando empregabilidade de funções no mercado de trabalho. Ridículo seria, nessa perspectiva, que professores abrissem consultórios, atuassem como agentes jurídicos ou de regularização social porque não encontram empregos nas escolas.  Se bem que as coisas estão mudando. Hoje na França existem aplicativos de petições  jurídicas que dispensam a presença de advogados para representar clientes nos tribunais. O mesmo poderá ocorrer em outras áreas.

 



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