Proposta 7 -TEMPO E RITMO DE MUDANÇA
"É preciso dar tempo ao tempo". Ditado popular.
Tempo é a duração e transformação das coisas. Esse é fio condutor principal desse estudo e das nossas atividades de aprendizagem. As mudanças nas visões de mundo aconteceram exatamente porque conseguimos mudar a nossa percepção e uso do tempo.
As tecnologias que criamos ao longo dos milênios também influíram em nossa relação com o tempo. Ao aprendermos a produzir o fogo, os alimentos agrícolas, os metais, etc., trocamos de papel com a natureza e passam a controlar o tempo, por meio da matemática (unidades numéricas de calendários e relógios). Abandonamos o conhecimento de percepção e observação (mudanças e permanências) natural do tempo (pelos ritmos da natureza), para usar instrumentos de precisão mecânica e agora digital.
Contraditoriamente, as tecnologias deveriam nos fornecer maior quantidade de tempo para os nossos afazes e para o nosso lazer, hoje temos a sensação e impressão de que o tempo está mais acelerado e que não sobra tempo para os nossos afazeres fora do trabalho. Os prazos ficam cada vez mais curtos. A troca do tempo absoluto pelo tempo relativo deveria nos causar prazer conforto, entretanto nos causa ansiedade e stress. Ainda não conseguimos harmonizar as duas percepções básica de tempo em nossos corpos e nas nossas mentes. Os ciclos ainda nos escravizam ao corpo e as crenças e costumes ainda nos prendem às mentalidades.
A mudança da nossa relação com o tempo só vai acontecer quando tivermos o controle da nossa memória e a organização sincronizada do relógio do corpo com a bússola da mente.
KRONOS E KAIRÓS, como diziam os gregos: tempo absoluto e concreto; e tempo relativo e abstrato. AS novas formas de uso da inteligência também são importantes para harmonizar essas duas percepções do tempo.
As novas equações não apenas lógico-matemática e racionais do tempo absoluto; são também emocionais, do tempo relativo. É a memória e suas técnicas de uso de dados e informações que realizar o trabalho de integração e fusão dessas duas dinâmicas do tempo. Somos aquilo que lembramos.
O ciclo das 24 horas e sua influência nas experiências humanas.
As fases do ciclo biológico e seu impacto na existência humana.
Acontecendo no sentido cronológico o tempo do corpo inicia com o nascimento e finda com a morte. È marcado por fases distintas de mudanças físicas e de amadurecimento mental. Cada fase é um período de treinamento para a etapa seguinte
INFÃNCIA E FANTASIA. Faz de conta, brincadeiras e experiências fundamentais para a construção existencial por meio do convívio e coletas dos primeiros elementos sociais que vão influir no desenho da personalidade. A FRAGILIDADE é marca principal desse período, necessária para estimular o desenvolvimento das habilidades de adaptação e sobrevivência.
ADOLESCÊNCIA E ILUSÃO – O faz de conta continua com idealizações e sonhos com criatividade e regados com fantasias sexuais e autosuficiência. FORÇA, VIGOR E SENSIBILIDADE são as marcas desse período da puberdade.
VIDA ADULTA – O relógio da existência dispara em função das necessidades e provas de sobrevivência. As idealizações se voltam para as conquistas materiais e o vigor da juventude é aplicado na produção e nos riscos das empreitadas. As provações morais sempre acompanham as provas de sobrevivência. PRODUÇÃO E DESILUSÃO são as marca dessa trajetória existencial, que pode ser rápida ou longa, dependendo do poder de observação de quem caminha. A extroversão das duas fases anteriores é gradualmente substituída pela introspecção das duas fases seguintes..
MATURIDADE – É o início do fim. A conclusão do percurso e a síntese da existência. É um período crucial de transformação pelo envelhecimento e extinção gradual do vigor físico e sexual empregado na reprodução biológica e na produção material. Para compensar essas perdas, a mente desliga o relógio gradualmente e ativa a bússola onde o observador olha a existência de forma mais tranquila, pela desaceleração. REPOUSO, REFLEXÃO E RESIGNAÇÃO são as marcas desse fim de ciclo, dependendo das experiências e também do grau de consciência adquirido nas fases anteriores de amadurecimento.
A fusão do tempo absoluto (relógio) com o tempo relativo (bússola, por meio da memória.
QUAIS SÃO SEUS PLANOS?
A gestão do tempo e da memória é talvez a mais complexa das experiências humanas. Isso implica lidar com as suas múltiplas dimensões (equações lógicas e psicológicas) e manifestações(fenômenos). Normalmente, dependendo das circunstâncias, estamos sempre mais voltados para uma dessas dimensões existenciais: o passado, o presente e o futuro. “Somos o que lembramos e fazemos o que somos”.
Quanto maior o nosso grau de inteligência e maturidade, maiores são as nossas habilidades e competências ao lidar com essas dimensões, incluindo a capacidade de articular as mesmas em proveito das nossas necessidades. Se temos dificuldade em lidar com o passado, temos limitações de memória. Isso é péssimo e limitador. Se não lidamos bem com o presente, temos limitações ainda mais graves porque não sabemos administrar as tarefas e desafios do cotidiano. Isso é geralmente chamado de descontrole. Se não nos interessamos pelo futuro é porque não conseguimos fazer a necessária relação entre o que aconteceu (passado) e o que está acontecendo (presente) e por isso não conseguimos vislumbrar o que pode acontecer. Como lidar com essa importante questão do tempo em nossas vidas?
Podemos começar pelo começo, como já fizemos, entendendo e compreendendo o que é o tempo
E o futuro?
Depois é preciso saber o que é futuro. Daí então podemos fazer o mesmo exercício que fizemos com a memória, projetando nossas principais planos e metas para o futuro mais distante, não sem antes estabelecer os objetivos para o futuro mais próximo e reconhecer as verdadeiras condições (limites e possibilidades) que temos no tempo presente.



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